NÃO SEI DANÇAR!

Como não sabe dançar? Há certas coisas na vida que não tem como não saber. Quem está vivo com certeza sabe respirar, sabe comer, sabe dormir e sem dúvida sabe dançar. É claro que entre saber fazer alguma coisa e fazê-la bem existe uma grande diferença.
A maioria das pessoas não se alimenta direito, respira de maneira errada, dorme pouco e nem por isto saem por aí dizendo que não sabem fazer estas coisas ou se dão ao luxo de deixar de fazê-las porque não as fazem da maneira como deveriam. Mesmo porque todos estes processos são básicos para manutenção da vida no corpo físico.
Dançar, por outro lado, não é considerado algo fundamental para a manutenção da vida do corpo físico, por isto nos damos o direito de dizer que não sabemos dançar. A verdade é que são poucas as pessoas que são exímias dançarinas. Poucos são os que têm a flexibilidade, a força e a resistência para integrar todo o seu conjunto de movimentos à música que está sendo ouvida. A maioria das pessoas apenas se movimenta em uma tentativa de integrar-se ao ritmo musical.
O movimento da dança é algo integral. A dança pode ser aprendida, desenvolvendo a coordenação motora até sentir o pulso da música, provocando um movimento em harmonia com o ritmo. Muitos dançarinos movimentam-se muito bem fisicamente ao ritmo da música, porém suas emoções e pensamentos estão descompassados com relação ao ritmo da música. O bom dançarino usa de todos os recursos que estão a sua disposição em toda a sua integralidade para estabelecer um movimento que reverencie a vida em todos os seus aspectos.
Isto significa que mesmo um surdo ou um paraplégico são capazes de dançar porque muito embora seus corpos físicos careçam de certas faculdades, a sua determinação em movimentar-se de acordo com um ritmo, mesmo que interiormente, podem levá-lo a reconhecer a magnitude da vida em si e no outro.
A conquista da liberdade de movimentos do corpo físico é um exercício e tanto. Trabalha com a coordenação física, com o orgulho, com a insegurança e com falta de aceitação de si mesmo como ser a caminho da evolução.
Dizer que não sabe dançar ou privar-se de dançar são questões de orgulho porque a maioria das pessoas diz que não dança porque não sabe ou porque não gosta. E esta aí uma coisa que não tem como não gostar ou não saber. Cada ser vivo tem um movimento intrínseco que se estende de sua organização atômica, passando pelo movimento das células até o movimento de seus órgãos físicos. Do mesmo modo suas emoções e pensamentos se movimentam. E simplesmente não há como parar este movimento. Mesmo após a morte do físico este movimento simplesmente não para, apenas se transfere para outras esferas.
Dar o melhor de si para movimentar o corpo físico ao ritmo de uma determinada música é estabelecer de maneira consciente uma organização de movimentos segundo um determinado ritmo. O verdadeiro ritmo da vida vem do Creador, portanto a música é um grande treino da criatura para um dia alinhar seus movimentos ao ritmo da Creação.
No ritmo da Creação estão todos os seres que dançam com toda a sua integralidade. Sinto esta integralidade nas flores e nas árvores do jardim, vejo esta integralidade no abraço do amigo querido, nos cuidados da esposa amada. Todos são capazes de sentir esta integralidade, assim como todos são capazes de dançar. Privar-se da oportunidade de dançar é sem dúvida um grande desperdício de vida.
Dizer que não sabe dançar pra mim é o mesmo que dizer que não sabe viver. Portanto movimente seu corpo sem vergonha e faça o seu melhor para colocá-lo no ritmo. Se isto resultará na mais bela forma de expressão artística eu não sei, mas com certeza você terá se libertado de uma grande limitação e terá excelentes momentos de alegria.
Até a próxima!

3 comentários:

monica mosqueira disse...

Muito bom!
De quem é o texto?
Vou usar esse texto em alguma aula/alguma oficina.abrçs clênio!

clenio disse...

Legaaaal moniquinha, não sei de quem é o texto, mas a fonte é do site do IPE Instituto de Pesquisas Evolutivas, é só clicar no link ao final do texto.

Anônimo disse...

SENSAIONAL O TEXO.