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Campanha VALE LIVRO O corpo ciente

O Livro/E-book "O Corpo Ciente" por Clênio Magalhães, escrito durante a pandemia, oferece às pessoas ferramentas para lidar com os desafios sensório-motores através da criatividade e expressão. A linda ilustração da capa é da multiartista argentina Gui Van Der Kooy.  O Corpo Ciente traz a reflexão de que seja qual for o tipo de prática escolhida para melhor auxiliar a compreensão de si, o movimento é parte inevitável do processo. O desafio está em acompanhar os deslocamentos que vão acontecendo no corpo, tornando-se ciente, assumindo o controle possível e sentindo-se corresponsável pelas responsabilidades das alterações. O livro pode ser adquirido em formato físico e e-book através da Campanha Vale Livro BENFEITORIA . Acesse www.benfeitoria.com/ocorpociente apoie o lançamento da segunda edição e ganhe o livro autografado como recompensa.

Tato

A sola dos meus pés reclamam meu peso. Para onde vamos? Formo ângulos com braços e pernas. Derreto-me. Desafio-me. Ensaio a queda. Me vejo nos olhos alheios. Admiro-os e me sinto igual na diferença. Valorizo o tempo. Se toca. Eu toco os outros. Os outros me tocam. Então me toco. Ata-te. Ata-me. Vamos fluir.

Tarde

Falta ar. Não compreendo a vida. Não entendo. Amor exclusivo focado. Paixão inclusiva generosa. Possível limitado. Impossível utópico. Aflições. Amadureço com olhar triste e assustado. Assustador. Olho meu reflexo e vejo o mundo. Ocupo muito espaço. Estilhaço. Cansaço. Gratidão Deus. Muito linda sua criação. Parabéns mesmo. Precisando de algo estou aqui. Sigo buscando. Sinapses. Instinto e memória. Paciência. Até que gosto dessa dor. Quando não me batem danço. Me livrei da tortura das cócegas. Ainda não dos pensamentos. Não te esqueço. Eu não quero? Aceito. Quase morto te amo. Morto de chorar. Me humilho. Mas coitados deles que acreditam que vivem. Imito moléculas e crio. Mostro-lhes o fim. O nada e efêmero envoltórios.

Auto-discussão no quintal

Você morde os pés dos dentes Eu beijo o pescoço da língua Você disfarça em panos quentes Eu transformo as dores em íngua Você sublima amando álcool Eu furo a onda pelo limão Você vaga querendo fumaça Eu salto estrelas pelo pulmão Você se afoga em dívidas Eu desconto sendo nosso amor Você descansa, deixa dúvidas Eu sinto Você os outros Eu você (CM)

O leite derramado

Espalhou-se por todo o corpo Até cheiro entrou pelo nariz Encharcando o meu calção torto Convenceu do cabelo à raiz Por que o leite chegou até mim? Era para derramar somente? Se era para me deixar assim Por que teria que ser tão quente? Deste leite não quero o pingo Mesmo tendo mais leite na caixa Não limpo, não esqueço, não vingo Do leite não quero a distância Mesmo tendo mais leite na vaca Quero sua outra deslumbrancia. (CM)

Leite de pedra

Se acolhe. Obedece o ronco da sua intuição. Se recolhe. Poupa a vaca, a cabra, a porca e a galinha. Se aguarda. Extrai da efêmera vontade a seiva ampliada. Se observa. Relembra as primeiras fases dos quintais da sua vida. Se pune. Enfia o dedo sujo nos olhos e arranca a casca das suas feridas. Se aconselha. Vença o medo de si mesmo, dia a dia, combata os açúcares distratores! Se esforça. Espreme o peito, os olhos, o limão, o côco e a medula. Se nutre. Prepara bolo, pão, salada, desejo e cuscuz bem feito. Se engole. Nada contra maré sem enjôo. Se prepara. Estamina para o vôo além. Se perde. Descansa na paz do vento nos cabelos. Se nega. Verte a dúvida para a goela dos espelhos. Se mistura. Quente como café nas férias de janeiro. Se expõe. Serve chocolate aos espiões. Se gela. Põe canela nas memórias antecipadamente esperadas. Se oxigena. Morno como o ritmo do colo apaixonado. Se mata. Sova o creme nata da sobra cin...

O paraíso somos nós

Como quaisquer outros animais, nós seres humanos possuímos características diferentes entre nós mesmos. Caninos por exemplo apresentam uma grande diversidade de raças as quais variam em pelagem e tamanho dentro de seus próprios grupos. O conhecimento de si mesmo é justamente buscar entender a qual tribo você pertence. E acima de tudo aceitar a diferença. Na cadeia alimentar por exemplo, possuímos uma vasta estrutura de produção e serviços à disposição das nossas escolhas. Não precisamos defender o que deve e o que não ser consumido. Podemos dar dicas e assim atrairmos e escolhermos com quem dividir os rituais da vida. É difícil para ambas as partes o convívio entre veganos e carnistas num almoço de domingo. Eu me sentiria muito incomodado em dividir a mesa com um urubu. Não o faço. Nem por isso preciso fazer textos, vídeos e obras de arte, mas respeito quem critica o costume desta ave. O urubu lá e eu cá é mais tranquilo para minha jornada e para a dele. Pássaros sentem que voam...

Professx

Um ano se passou. Um ciclo. Fechando e abrindo a gente se constrói. Através da dança. Quanta experiência compartilhada. No meio do caminho do artista havia muita gente verdadeiramente diferente. Humanos. Gratidão pela leveza nos momentos mais pesados. Entre falhas e acertos preferimos poupar. Somos iguais na diferença só isso. Nada mais. Como é bom ser diferente. Nossas diferenças foram se tornando normais. Energia produzida e concentrada. Atrasamos aqui adiantamos lá. Fomos fracos aí fomos fortes cá. Corremos bons riscos de aprender mais. Aprendizado mútuo em intensidades diversas. Transformamos o máximo possível em arte. Formamos juntos uma pulsação corporal. Um estilo de viver. Afinal não é a vida a escola maior? Uma busca constante de potências e competências do corpo. Entendendo o toque, a presença, a memória sentida no osso. Certezas limítrofes e o resto é dúvida e amor. (CM)

AMOR

#DançaZero Ao Amor ph by Jenny Sullivan Que mesmo loucos e utópicos assumamos a nossa condição de seres que incondicionalmente amam. Até a próxima! CM

O outro lado

Só por um segundo mire meus olhos e me transmita algo reto Aqui na minha frente e me mostre o erro Alivia meu vício de querer sempre salvar-te Agora enquanto durmo Vá lá buscar informações e volte Pára de se agitar entre minhas semanas Ou expresse a permissão para soltar as suas rédeas Que mania de concordar com você Passo de um mero corpo calmante? Nasce, dorme, respira, come, bebe, goza Sente, sonha, quer, sofre, adoece Pensa, sara, imagina, cria, crê, morre Ainda está aí? Agora leve minhas lágrimas ao mar Jamais tive segredo contigo Mostre-me que há algo além da mudança E pensei Que eu seria capaz de criar algo grandioso Se nem de ti posso abrir mão Eu me sinto um mero bebê Eu quero falar a sua língua Me ensina Calma Eu te guardo com tanto carinho aqui dentro Cuidado Ai! Por que faz assim? Aprendi a gostar de cebola Me ensina a curtir essa dor Fosse do lado de lá ou do lado de cá Você também é assim pequena como eu me sinto? CM

fé

A totalidade encontra-se na parte. Pois ao ser intuída já se torna parte das dúvidas. Por isso buscamos a mola propulsora que originou tudo. Os detalhes mais importantes compõem a totalidade. A minha fé encontra-se nos detalhes da totalidade da permanência.

As danças que dançamos

Aos suores deixados nos figurinos, tintas, madeiras de palcos e salas, fogo, vela, gelo, terra, folha e pedras de ruas e calçadas perguntamos: O que acumula-se em nós? Coisas que a gente sente e não denuncia. Coisas que incham no nosso propósito de sermos quem somos. Dançantes.

Coisas de dança

A dança está na tensão da dúvida.   As coisas de dança não estão postas para afirmar. Coisa de dança não é clara, mas ilumina. Qualquer coisa de dança dita não será tida, se não inspirada e transmitida. Dançar uma coisa é sujar a coisa intuída. A dança é suja. Sua. Gruda. Sigamos sujando de dança os corpos inquietos.

A bola da vida

                        A vida segue seu rumo. No peito um aperto difícil de tirar. Esta sensação que nos persegue já que o mundo parece estar sempre a nos cobrar mais e mais. Aquela bola de neve continua a rolar e a crescer. Ansiamos pelo verão e forçamos nossos pulmões para expandir o peito, respirando forte, mesmo que às vezes seja preciso um cigarro. O tempo nos fortalece e criamos coragem para enfrentar a bola. Ou viramos de costas para o futuro e somos atropelados pela bola, cavamos um buraco no chão, onde nos abaixamos e deixamos a bola definitivamente passar ou driblamos a bola fazendo caminhos curvos e criando obstáculos impedindo sua fluência em nossa direção. Enquanto escolhemos a melhor alternativa, permanecemos na corrida da bola. Trabalhando, estudando, criando, imaginando, acreditando em ideias de vida . O que é a fé senão o prazer da permanência? Se quem ganha somos nós ou a grande bola, pouco importa. Importan...

onirismo

Voltava para casa quando percebi que um cachorro me seguia. Parei olhei para aquela criatura esquálida, suja, temerosa e assustada. Seus olhos me fitavam tão profundamente que parecia trazer algo a mais, além de piedade. Continuei andando e o cachorro continuava a me seguir a distância. No caminho refleti sobre minha impossibilidade de fazer algo direto em seu benefício mais urgente. Eu não teria estômago para lavá-lo com minhas próprias mãos e nem dinheiro para levá-lo a um pet shop ou veterinário. Então me lembrei de uma amiga que é fanática por animais e passei em sua casa para que ela visse o bebê que me seguia. Foi amor à primeira vista. Quando Eli minha amiga viu aquele ser, já se abaixou, chamou com uma voz branda e o tomou pelas mãos. “É uma cadelinha!” Exclamou. Imediatamente a colocou no carro, levou a cadelinha Bebê, que acabou sendo batizada assim, para todo o tratamento de emergência que ela precisava. O tempo passou e a Bebê cresceu. Era uma cadela dócil,...

Por sermos do interior.

Por sermos do interior estamos do lado de dentro das bolhas de ar. Por sermos do interior, simpatizamo-nos mais facilmente à paciência, à vizinhança. No exterior as bombas explodem, no interior explodem os comentários, pois todos se conhecem. A peleja do interior nos dá fibra para enfrentar os altos e baixos da vida. As rotinas dos compromissos se fundem às rotinas dos rios, do balanço das copas das árvores, da fumaça da lenha, do vapor dos alimentos, dos suores, das lágrimas. Nossos corpos parecem não suportar o infinito dos horizontes, mas o interior parece caber em nossas mãos. Em meio a tantas minorias, por sermos do interior tornamo-nos as maiorias. Mãe, pai, mano, tu, vó, vô, tias, tios, primos, meus amigos e você que lê: eu estou bem.  Escapei-me do interior tentando desenvolver uma compreensão mais integral da realidade. Submeto-me aos vôos mais altos na justificativa dos meus abandonos e submeto-me aos mergulhos mais profundos na recordação da nossa infância. " Estou poda...

DANCEI!

e vou dançar mais. amanhã e depois de amanhã. vida longa à todas as danças do mundo até a próxima! i danced i'll dance more and more tomorrow and after long life for all dances of the world j'ai dansé je danse et plus encore demain et après demain longue vie à toutes les danses dans le monde jusqu'à la prochaine fois!

A DANÇA DO SUPER HOMEM

Enfim terminei ASSIM FALOU ZARATUSTRA, livrozinho difícil, para não dizer chato, pois reconheço sua importância. O que me chama a atenção em Nietzsche, mais do que sua delirante razão, é o seu amor pela dança. Sou um buscador incansável da razão que nos impulsiona a dançar, e ler o Nietzsche para descobrir o que de extraordinário existe para ele nesta modalidade artística que o impele a citações incansáveis sobre o corpo e o movimento poético, torna-se mais que necessário. Sinto-me orgulhoso por ter vencido uma literatura tão complexa, sinto-me consciente de não ter apreendido 20% dos seus devaneios, por uma questão de juízo (rs) e sinto me ainda mais curioso em busca dos fenômenos ligados a arte de se mover.  Selecionei algumas citações que refletem um pouco minhas aproximações com as profecias endeusadas da sua personagem. Inspiração para Richard Strauss "...o bom e o são egoísmo que brota da sua alma poderosa a que corresponde o corpo elevado, belo, vitorioso e rec...

NÃO SEI DANÇAR!

Como não sabe dançar? Há certas coisas na vida que não tem como não saber. Quem está vivo com certeza sabe respirar, sabe comer, sabe dormir e sem dúvida sabe dançar. É claro que entre saber fazer alguma coisa e fazê-la bem existe uma grande diferença. A maioria das pessoas não se alimenta direito, respira de maneira errada, dorme pouco e nem por isto saem por aí dizendo que não sabem fazer estas coisas ou se dão ao luxo de deixar de fazê-las porque não as fazem da maneira como deveriam. Mesmo porque todos estes processos são básicos para manutenção da vida no corpo físico. Dançar, por outro lado, não é considerado algo fundamental para a manutenção da vida do corpo físico, por isto nos damos o direito de dizer que não sabemos dançar. A verdade é que são poucas as pessoas que são exímias dançarinas. Poucos são os que têm a flexibilidade, a força e a resistência para integrar todo o seu conjunto de movimentos à música que está sendo ouvida. A maioria das pessoas apenas se movimenta em u...

Discurso de posse da ministra da Cultura, Ana de Hollanda

Segunda-feira, 03 de Janeiro de 2011 Excelentíssimos Srs. ministros e ministras, senadores e deputados, demais autoridades presentes, caríssimos servidores do Ministério da Cultura do Brasil, Minhas amigas, meus amigos, boa tarde. Antes de mais nada, quero dizer que é com alegria que me encontro aqui hoje. Uma espécie de alegria que eu talvez possa definir como uma alegria densa. Porque este é, para mim, um momento de emoção, felicidade e compromisso. Sinto-me realmente honrada por ter sido escolhida, pela presidenta Dilma Rousseff, para ser a nova ministra da Cultura do meu país. Um momento novo está amanhecendo na história do Brasil – quando, pela primeira vez, uma mulher assume a Presidência da República. Por essa razão, me sinto também privilegiada pela escolha. Também é a primeira vez que uma mulher vai assumir o Ministério da Cultura. E aqui estou para firmar um compromisso cultural com a minha gente brasileira. Durante a campanha presidencial vitoriosa, a candidata Dilma lembrou...